Palavras bem-ditas

“…as coisas sublimes são, muitas vezes, as menos compreendidas…” - Victor Hugo

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Manual de Adoração a Deus



Antes de qualquer coisa, não vou ensinar nenhuma forma mágica para a adorar a Deus. E, nem muito menos, ainda que seja enviado uma pomposa oferta para minha conta corrente, ensinarei uma forma de barganhar com Deus através de orações e louvores; claro, não que não queira – até uma oferta dessa aceitaria... mas, apesar da piadinha, não quero nem suporto isso de jeito nenhum (!); mas, francamente, o Deus a que sirvo não é comprado por lágrimas, orações ou prantos; Ele simplesmente foi, é e será.
Esse tema surgiu num final de tarde de domingo. Hoje, não deu para ir à igreja pela manhã, já que as atividades noturnas do sábado a noite se emendaram com a madrugada de domingo, então agora, antes do culto da noite, senti a necessidade de um momento de adoração. Nesse instante, numa cena que vi aqui em casa mesmo, onde alguém estava procurando um recanto para fazer um momento de adoração, trouxe-me, à mente, inúmeros ‘paradigmas’ de adoração que ouvi e vi durante toda a nossa curta existência.
Algumas dessas normas criadas são até engraçadas e, certamente, trarão um sorriso para os rostos dos leitores e das leitoras – e surpresa enraivecida para aqueles que são adeptos dessas preocupações peculiares... Por exemplo, ouvi certa vez que não é bom o homem ou a mulher dormir com trajes muito curtos ou com partes do corpo à mostra pois isso impediria que um anjo 'trouxesse a benção' durante o sono noturno. Agora, é engraçado, imagine um anjo escandalizado porque o pobre irmão da igreja está dormindo só com um calção do Bob Esponja (!) . É muita graça, né? Tem mais, sempre fui acostumado a ouvir dos meus pais que não é bom orar sem camisa ou sentado ou deitado porque isso não seria bom (?). Nunca entendi o que significa ‘isso não é bom’, mas o interessante é que, por muitos e muitos anos, tinha essa sincera preocupação de me vestir ‘daquele’ jeito, de me colocar ‘naquela’ posição estratégica para fazer ‘aquela’ oração. Eita, é de rir mesmo, caros leitores.
Mas as normas se estendem para outros lugares além dos recantos da casa. Alguns, exempli gratia, acham que adoração tem que envolver gritos e manifestações eufóricas de louvor e exaltação. Outros acreditam que Deus gosta daquela adoração calma e tranquila com uma voz calma e compassada. Outros pregam que a forma correta de adorar é a forma intensa e apaixonada. Choros, lágrimas, gritos, movimentos de pra lá e pra cá, repetições de frases curtas e mântricas. Ainda há os que, na igreja, não adoram, somente assistem. Sobre esses últimos não temos mesmo o que falar, eles não fazem nada mesmo...
Contudo, apesar de não concordar com algumas formas descritas e propagadas por esse mundão à fora, não é o objetivo desse texto criticar qualquer uma das formas do parágrafo anterior – com exceção dos expectadores de culto, que pelo amor de Deus... Neste texto, somente quero trazer à reflexão a forma como, inutilmente, colocam em caixas e em moldura ‘a forma de adorar corretamente’, pensando que existe a fórmula mágica de convencer o coração de Deus. Na verdade, parece que, muita das vezes, em vez de simplesmente adorarmos, buscamos, de algum modo mais prático, conquistar a simpatia Dele, até que, cedo ou tarde, descobrimos que Ele nos amou tanto que deu Seu Filho único para morrer por nós para que todo aquele que Nele cresse não viesse a perecer, mas que viesse a ter a vida eterna. Então, temos o insight de que não há nada a conquistar, o amor Dele que nos conquistou primeiro.
Caro leitor e bela leitora, falar em manual de adoração é como falar que existe uma única forma para dizer como se faz um bolo. Receitas e mais receitas existem; métodos e formas, cursos e mais cursos. Evidentemente, existem as maneiras erradas que, em vez criar bolos, criam pudins, tortas ou uma massa homogênea que mais parece com um cimento (esse é o meu método preferido... oxente, não somos um mestre-cuca não! Ao menos, já tentamos...) mas que, nem de longe, parece com um bolo. E, não se pode esquecer dos incrementos, das bordas, dos enfeites para melhorar o bolo, mas que, na realidade, em nada conseguem mudar a finalidade e o objeto do bolo: comida. Apesar de ser uma analogia bem rasteira – talvez porque se aproxima a hora do jantar..., mas me faz refletir bem o quanto injustificado é a maioria dos julgamentos sobre a forma do adorar.
Talvez, ou melhor, certamente os ledores e as ledoras mais perspicazes estarão questionando: “mas e a reverência? E o trato especial?’, ou como alguns costumam apelar, “Se fosse o presidente da república você não o receberia com uma samba-canção, receberia?” É. Para essas críticas somente posso afirmar, sinceramente e da forma mais sutil possível, que isso tudo não tem nada a ver. A natureza de Deus, cuja perfeição em todos os sentidos é evidente na Sua palavra, sabe muito bem distinguir a qualidade da adoração recebida seja ela proveniente de quem for: de um cara com um paletó, gravata, camisa social, calça social e um sapato social numa noite calorosa na Ilha de São Luís; ou, de um cara que está em casa, com seu calçãozinho desgastado pelo tempo – que se transformou num ‘pijama’ – se preparando para dormir, quando se assenta na beira da cama para conversar com Deus.
Qual a relevância dessas peculiaridades diante da sinceridade do coração do adorador? Que diferença faz a vestimenta, o modus operandi da adoração, a entonação da voz, a música de fundo diante da motivação das palavras de quem ora? Como se pode julgar uma oração pelo vernáculo usado seja ele com um rebuscamento histórico-teológico de “Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó...” ou na pureza de quem fala: “Papai, agradeço pelo danone de hoje...”? Como fundamentar que coisas humanas tão mesquinhas podem ser relevantes diante de um Ser que criou a imensidão do universo? Sinceramente, não creio que a samba-canção (que, a propósito, achamos muito tosca e engraçadas, e não usamos... só para mencionar... sabemos que tem leitores engraçadinhos...) teria alguma importância diante do Deus que criou a pequena flor e a vastidão de uma Via Láctea.
Por fim, TORÇO QUE ESTE POST NÃO TENHA SIDO ENTENDIDO COMO ALGUMA AGRESSÃO OU COM A CONOTAÇÃO DE PROVOCAÇÃO E ETC... Por favor, nada disso. Bem sei o quanto as palavras podem ser mal entendidas, é só ver para as heresias e os entendimentos equivocados retirados da mesma Bíblia. Somente queria gerar a reflexão na ledora e no ledor para que coisas tão pequenas não venham a prender a liberdade de um adorador. Bem sabemos que o “Pai procura adoradores que o adorem em Espírito e em Verdade”, logo sejamos tais adoradores. Sejamos simplesmente simples e verdadeiros nas nossas adorações.

P.S.: perdão pelos que lerão com toda a seriedade até aqui, mas tenho que expressar que SAMBA-CANÇÃO JÁ É DEMAIS! Assim, a oração não passa do teto... Brincadeira!!! Perdão, essa tirada era imperdível... ;-]
Magdiel Pacheco Santos
15 de agosto de 2010
Soli Deo Gloria

4 comentários:

Iara do Jaguarema disse...

"De um cara com um paletó, gravata, camisa social, calça social e um sapato social numa noite calorosa na Ilha de São Luís". Ouvi alguém dizer (quando estávamos nos direcionando à igreja) que Deus honra o zelo para ir à casa do Senhor... :s E eu me pergunto: e o interior apodrecido de pecado? O famoso "quem ver cara não ver coração" é real no meio dos cristãos. Aprendi com meus erros que, quem ver cara não ver coração. E o que dizer das n's formas de adoração??? Deus sabe onde estão os que adoram quietos, saltando, dançando, de ponta cabeça, mas que o adoram em espírito e em verdade. ;)

Unknown disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
BRUNO LISBOA disse...

Aprendi na vida que só preciso ser sincero com o Espírito Santo. Se seu estou com preguiça de orar, não adianta eu me "ajoelhar e clamar". Seria perca de tempo por que Deus sabe que quero é dormir.
Sejamos sinceros: "Deus estou cansado e com sono, sei que Tu és Todo Poderoso, obrigado pelo dia de hoje. Amém!”.
Se você for sincero com Deus ele fará coisas maravilhosas na sua vida.

guto chalup disse...

As vezes o homem sem vestes tem um coração contrito á DEUS, e muitas vezes o homem com vestimentas de purpuro linho fino tem um coração cheio de maldades e contendas. DEUS quer que o adore de todo o seu coração, alma e força independente do que você está vestindo.